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__História de Vida__

Componentes do grupo:

Diana - Andréia - Thaís (Motivação)

 

 

A atividade consiste na busca de elementos que qualificam a fonte. Procederá uma busca que contemple:a) Definição ou descrição da fonte. O que é? Para quê serve?Quando é recomendada sua aplicação?b) Procedimentos (como se faz ou como se deve proceder)c) Vantagens d) Desvantagens. Defina outros itens que considerar interessante para a apresentação da fonte. O formato de apresentação do trabalho fica a critério do grupo.

 

O que é história de vida?

 

História de vida é a narrativa que cada pessoa faz de si mesmo. É a visão de mundo que cada um transmite aos outros. Neste sentido, nossa história de vida não diz respeito apenas ao passado. Ela garante a direção e a coesão necessárias para cada um agir no presente e pensar o futuro. Dessa forma, nossa história de vida é a explicação e a narrativa que montamos a partir de marcos que guardamos seletivamente em nossa memória. Essa explicação é o que nos dá identidade, nos faz reconhecer a nós próprios. Da mesma forma, a história de um grupo é a organização do que foi seletivamente demarcado como significativo na memória social. É o que dá coesão a um grupo e estabelece sua identidade.

 

Quais são as fontes de história?

São inúmeras as fontes da história. Entre elas, destacam-se as fontes textuais (jornais, documentos, livros etc), materiais (objetos, fotos, pinturas etc) e orais (discursos, debates, entrevistas etc). Os depoimentos de vida são uma fonte dinâmica e valiosa. Garantem a produção de um conhecimento gerado não por narrativas estanques, mas advindo das diversas experiências e visões das pessoas que constituem nossa sociedade. Ouvir é a melhor maneira de entender o outro e se romper preconceitos sociais e promover a pluralidade.

 

 

Exemplo:

 

Um estudo de comunidade, através da utilização da técnica de histórias de vida, reconstitui a trajetória de cada um dos distritos, desde o seu surgimento até os dias atuais, a partir dos depoimentos dos atores sociais populares. Tais registros são acompanhados dos retratos de família e da produção de fotografias, para confronto entre o passado e o presente, acompanhadas de gravação de depoimentos em fitas cassete, por exemplo.

 

Realização de encontros com a comunidade, a fim de que sejam identificados os focos e os interesses a serem perseguidos. Líderes sociais populares, ou seja, pessoas que, na opinião da comunidade, poderão servir de fontes de informações sobre a história, costumes, enfim, que poderão oferecer contribuições significativas para o resgate dos valores culturais da comunidade. Povo e Paisagem, poderem ser inseridos nos mais diferentes focos de análise, em qualquer área do conhecimento, para direcionarem as propostas, desde questões relacionadas ao saneamento básico, educação, saúde, lazer, arte, etc.

 

 

Segundo JOSSO()"... as "histórias de vida”, colocadas a serviço de projetos, são necessariamente adaptadas e restritas ao foco imposto pelo projeto no qual se inserem. Ao passo que as histórias de vida no sentido pleno do termo, para os membros de nossa rede, abarcam a totalidade da vida em todos os seus registros, nas dimensões passadas, presentes e futuras, e, portanto, em sua dinâmica global.

 

Logo a seguir a citação de alguns autores sobre o tema HISTÓRIA DE VIDA "...QUEIROZ (1988) coloca a história de vida no quadro amplo da história oral que também inclui depoimentos, entrevistas, biografias, autobiografias. Considera que toda história de vida encerra um conjunto de depoimentos e, embora tenha sido o pesquisador a escolher o tema, a formular as questões ou a esboçar um roteiro temático, é o narrador que decide o que narrar. A autora vê na história de vida uma ferramenta valiosa exatamente por se colocar justamente no ponto no qual se cruzam vida individual e contexto social."

"HAGUETTE (1987) considera que a história de vida, mais do que qualquer outra técnica, exceto talvez a observação participante, é aquela capaz de dar sentido à noção de processo. Este “processo em movimento” requer uma compreensão íntima da vida de outros, o que permite que os temas abordados sejam estudados do ponto de vista de quem os vivencia, com suas suposições, seus mundos, suas pressões e constrangimentos."

"CAMARGO (1984) complementa que o uso da história de vida possibilita apreender a cultura “do lado de dentro”; constituindo-se em instrumento valioso, uma vez que se coloca justamente no ponto de intersecção das relações entre o que é exterior ao indivíduo e aquilo que ele traz dentro de si. O mesmo pensa CIPRIANI (1988) quando considera o “livre fluir do discurso”, condição indispensável para que vivências pessoais despontem profundamente entranhadas no social, o processo de “escavação do microcosmo” deixa entrever o “macrocosmo”, o universal mostra-se invariavelmente presente no singular."

"BECKER (1994) acrescenta que a história de vida aproxima-se mais do terra a terra, a história valorizada é a história própria da pessoa, nela são os narradores que dão forma e conteúdo às narrativas à medida que interpretam suas próprias experiências e o mundo no qual são elas vividas."

"Diz-nos DENZIM (1984) que a temporalidade é básica no estudo das vidas e distingue duas formas de temporalidade. O tempo mundano relacionado a presente, passado e futuro como horizonte temporal contínuo e o tempo fenomenológico que é o tempo como fluxo contínuo, é o tempo interior, contínuo e circular. Diz ainda que uma vida pode ser mapeada em termos de episódios cruciais de cujo manejo resultam os seus significados. E, contando delas, as pessoas contam mais do que uma vida, elas contam a vida de uma época, de um grupo, de um povo. Apoiando-se em SARTRE, comenta o autor:

“As pessoas comuns universalizam, através de suas vidas e de suas ações, a época histórica em que vivem. Elas são exemplos singulares da ‘universalidade da história humana’” (SARTRE, 1981:43 apud DENZIM, 1984:30).

"A definição de história de vida dada por GOY (1980) complementa os vários elementos já apontados pelos autores acima cotejados. Ele, assim, acrescenta ser a história de vida “um arquivo entrelaçando o verdadeiro, o vivido, o adquirido e o imaginado” (Goy,1980:743 apud Pesce, 1987:154)."

A história de vida pode ser, desta forma, considerada instrumento privilegiado para análise e interpretação, na medida em que incorpora experiências subjetivas mescladas a contextos sociais. Ela fornece, portanto, base consistente para o entendimento do componente histórico dos fenômenos individuais, assim como para a compreensão do componente individual dos fenômenos históricos.

"A história de vida é, geralmente, extraída de uma ou mais entrevistas denominadas entrevistas prolongadas, nas quais a interação entre pesquisador e pesquisado se dá de forma contínua, situação assim descrita por THIOLLENT (1982):

“o entrevistador se mantém em uma ‘situação flutuante’ que permite estimular o entrevistado a explorar o seu universo cultural, sem questionamento forçado” (THIOLLENT, 1982:86)."

 

 

Bibliografia:

JOSSO, Marie-Christine. História de vida e projeto: a história de vida como projeto e as "histórias de vida" a serviço de projetos. Educ. Pesqui., São Paulo, v. 25, n. 2, 1999. Disponível em: <http://www.scielo.br>.

(Marie-Christine Josso é socióloga, antropóloga e doutora em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra, onde leciona e pesquisa desde 1971. Participa de diversas sociedades científicas internacionais e desenvolve trabalhos regulares em colaboração com grupos de pesquisadores de Portugal, Canadá, Itália, França e Suíça. Em 1980, funda com Pierre Dominicé o Groupe de Rechercche sur les Adultes et leurs Processus d’Aprentissage (GRAPA) e, em 1990, com ele e vários outros pesquisadores, L’Association Internationale des Histoires de Vie en Formation (ASIHVIF). )

 

http://www.museudapessoa.org.br/escolas/oq_eh_memoria.htm

 

Maria Angela Silveira Paulilo

Assistente Social, Professora do Departamento de Serviço Social da Uel, Doutora em Serviço Social pela PUC-SP

Comments (3)

Anonymous said

at 4:22 pm on Nov 25, 2006

Oi Diana, Andréia e Thaís. Como estão? A História de Vida é um método e deveras exigente para com quem realiza. Por que vocês escolheram trabalhar aqui com HV? Alguma curiosidade especial? Lendo a apresentação eu posso dizer que esta contém muitas informações importantes e aqui reside um dos méritos do trabalho. Ao mesmo tempo isso é um complicador, pois História de Vida, depoimentos, biografias, entrevistas em profundidade não são exatamente os mesmos para a pesquisa. Aqui o trabalho de análise exigiria maior inserção teórica separando cada uma das possibilidades para mais tarde buscar suas convergências e singularidades, de modo que um não se confundisse com o outro. Isso fica como um desafio e como um alerta. Vocês perceberam alguma diferença entre História Oral e biografias, por exemplo? Quais são as vantagens e desvantagens? Um abraço a vocês, Marie Jane

Anonymous said

at 7:36 am on Dec 8, 2006

Olá, Marie Jane!
Gostaria de dizer que , tentarei organizar de uma forma mais clara as informações.

Anonymous said

at 10:33 am on Apr 30, 2007

Eu fui influenciada pela minha formação como prof de História. Esta é uma das mais "novas" formas deabordagens da história. Valorizar, também, este tipo de História como forma de tentarentender de forma mais completa o que realmente acontece em todas as suas facetas.

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